Atraso no desenvolvimento: investigação e acompanhamento
Quando os marcos atrasam, a avaliação organiza o caminho.
Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890
Publicado em · revisão técnica em

Atraso no desenvolvimento é quando a criança alcança os marcos esperados para a idade mais tarde do que a maioria: nos movimentos, na fala, na interação ou na forma de brincar e aprender.
Quando um marco atrasa, o caminho é a avaliação especializada, e não a espera.
O que é o atraso no desenvolvimento
O desenvolvimento acontece em várias áreas ao mesmo tempo: os movimentos do corpo, como sentar e andar; o uso das mãos; a linguagem e a comunicação; a interação social; e a forma de brincar e resolver problemas.
O atraso pode afetar uma área só, como a fala ou os movimentos, ou várias ao mesmo tempo. Quando duas ou mais áreas estão atrasadas em uma criança com menos de 5 anos, fala-se em atraso global do desenvolvimento.
O atraso global atinge de 1% a 3% das crianças. Ele não é um diagnóstico final: indica que a criança precisa de investigação e de acompanhamento para entender a causa e organizar o cuidado.
Sinais que pedem avaliação
Pelos marcos do CDC, revisados em 2022, a maioria dos bebês senta sem apoio aos 9 meses, se apoia para ficar de pé aos 12 meses e anda sem se segurar aos 18 meses. Atrasos nesses marcos, ou na fala e na interação, merecem avaliação.
Também chamam atenção o bebê muito molinho ou muito rígido, que não firma a cabeça nos primeiros meses, e a criança que demora a interagir, a brincar ou a se comunicar.
A perda de habilidades que a criança já tinha pede avaliação em qualquer idade.
Prematuridade, complicações na gestação ou no parto, internação em UTI neonatal e casos de atraso na família são motivos para acompanhar o desenvolvimento de perto.
Como é a avaliação
A avaliação começa pela história da gestação, do parto e dos primeiros meses, pelos marcos já alcançados e pelo exame neurológico, com observação da criança brincando, se movimentando e se comunicando.
A investigação da causa é feita em etapas e depende do que a história e o exame mostram. A avaliação da visão e da audição faz parte, e a Academia Americana de Pediatria recomenda, entre os primeiros exames, o microarranjo cromossômico e a pesquisa da síndrome do X frágil quando a causa não é conhecida.
Exames de imagem do cérebro e exames metabólicos são indicados conforme a história e o exame, e o eletroencefalograma, quando há suspeita de crises. Cada pedido é discutido com a família.
As terapias não precisam esperar o fim da investigação: diante de uma dúvida sobre o desenvolvimento, a orientação é avaliar e intervir desde cedo.
Estimulação e acompanhamento
O cuidado é feito com terapias conforme a área atrasada: fisioterapia para os movimentos, fonoaudiologia para a fala e a comunicação, terapia ocupacional para o uso das mãos e a autonomia, e outras quando necessário.
A família tem papel central: as orientações levam o estímulo para a rotina da casa, e os retornos acompanham a evolução de cada área.
No bebê que nasceu prematuro, os marcos são avaliados pela idade corrigida nos primeiros anos, e a maioria alcança a faixa esperada até os 2 anos.
Quando a investigação encontra uma causa, o plano inclui o cuidado específico dela. Com autorização da família, a conduta é articulada com a equipe de terapias e com a escola ou a creche.
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