Bebê prematuro: acompanhamento do desenvolvimento
O seguimento acompanha o bebê muito além da alta.
Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890
Publicado em · revisão técnica em

É considerado prematuro o bebê que nasce antes de 37 semanas de gestação. No mundo, mais de 1 em cada 10 bebês nasce prematuro.
A alta da UTI neonatal não é um destino, é um ponto de partida. O acompanhamento nos primeiros anos ajuda a perceber cedo o que precisa de estímulo e a apoiar a família.
Por que o prematuro merece acompanhamento
A prematuridade é classificada pela idade gestacional no nascimento: extrema, antes de 28 semanas; muito prematuro, de 28 a 32 semanas; e moderada a tardia, de 32 a 37 semanas.
Uma revisão com mais de 64 mil crianças mostrou que, em média, quem nasceu prematuro tem mais dificuldades motoras, de comportamento e de aprendizagem na idade escolar, e duas vezes mais chance de ter TDAH. O efeito aparece em qualquer grau de prematuridade.
Isso não quer dizer que todo prematuro terá dificuldades: a maioria alcança a faixa esperada dos marcos até os 2 anos. O acompanhamento serve para identificar cedo quem precisa de apoio.
Idade corrigida e marcos do desenvolvimento
Nos primeiros anos, os marcos do bebê prematuro são avaliados pela idade corrigida, que desconta da idade atual as semanas que faltaram para completar 40 semanas de gestação. Um bebê de 6 meses que nasceu 2 meses antes, por exemplo, é avaliado como um bebê de 4 meses.
Pelos marcos do CDC, a maioria dos bebês senta sem apoio aos 9 meses, se apoia para ficar de pé aos 12 meses e anda sem se segurar aos 18 meses. No prematuro, essas idades são contadas pela idade corrigida.
Sinais que pedem avaliação
Pedem avaliação o bebê muito molinho ou muito rígido, que não firma a cabeça, que se movimenta de forma assimétrica, que atrasa os marcos mesmo pela idade corrigida ou que perde habilidades que já tinha.
Também merecem atenção nas consultas a dificuldade para mamar ou engolir, a irritabilidade intensa e a pouca interação com as pessoas.
Como é o seguimento
O seguimento combina a história da gestação, do parto e da internação, o exame neurológico e a avaliação dos marcos em cada fase. Em bebês de risco, avaliações padronizadas dos movimentos e a ressonância ajudam a identificar cedo o risco de paralisia cerebral, antes dos 6 meses de idade corrigida.
A visão e a audição também são acompanhadas, com os exames indicados para prematuros, e a conduta é articulada com o pediatra e com as terapias quando necessárias.
Com o crescimento, o acompanhamento passa a olhar também a fala, a atenção, a aprendizagem e o comportamento, porque parte das dificuldades só aparece na idade escolar.
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