Desenvolvimento e aprendizagem

Paralisia cerebral: diagnóstico precoce e acompanhamento

Diagnóstico cedo, cuidado em equipe e metas para a vida.

Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890

Publicado em · revisão técnica em

Sala de brincar com mesa baixa de madeira, blocos e brinquedos de encaixe, iluminada por luz natural

A paralisia cerebral é a deficiência física mais comum da infância. Ela acontece por uma alteração do cérebro em formação, antes, durante ou logo depois do nascimento, e afeta o movimento e a postura.

O diagnóstico não é um destino, é um ponto de partida. Quanto mais cedo ele vem, mais cedo o cuidado começa.

O que é a paralisia cerebral

É um grupo de condições permanentes do movimento e da postura, causadas por uma alteração que não progride no cérebro em desenvolvimento. A lesão não piora com o tempo, mas a forma como ela se manifesta muda conforme a criança cresce.

Ela atinge cerca de 2 em cada 1.000 nascidos vivos e é bem mais frequente em bebês prematuros e de baixo peso ao nascer.

A paralisia cerebral é descrita pelo tipo de alteração do movimento, como a espasticidade, e pelas partes do corpo afetadas. O grau varia muito: há crianças que andam sem apoio e outras que precisam de cadeira de rodas.

Sinais nos primeiros meses

Pedem avaliação cedo o bebê muito molinho ou muito rígido, que não firma a cabeça, que se movimenta de forma assimétrica, que usa sempre a mesma mão antes de 1 ano ou que atrasa para rolar, sentar e engatinhar.

Prematuridade, baixo peso ao nascer, complicações no parto, internação em UTI neonatal, infecções na gestação e icterícia grave são motivos para acompanhar o desenvolvimento de perto.

Como é o diagnóstico

O diagnóstico é clínico, feito com a história, o exame neurológico e a observação dos movimentos do bebê. Antes, ele costumava vir entre 12 e 24 meses de idade. Hoje, em bebês com fatores de risco, pode ser feito antes dos 6 meses de idade corrigida, combinando a ressonância do crânio com avaliações padronizadas dos movimentos e do exame neurológico.

Quando ainda não é possível fechar o diagnóstico, a criança pode ser acompanhada como de alto risco para paralisia cerebral, o que permite começar a intervenção sem esperar.

A ressonância também ajuda a entender a causa e o momento em que a alteração aconteceu.

Tratamento e acompanhamento

A lesão não tem cura, mas há muito a fazer pela função e pela qualidade de vida. O cuidado é feito em equipe, com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, com metas definidas junto com a família e treino das atividades do dia a dia, também em casa.

Para a espasticidade, há tratamentos com evidência, como a toxina botulínica aplicada em músculos selecionados, indicados conforme cada caso. A vigilância do quadril e o acompanhamento ortopédico ajudam a prevenir complicações.

A neuropediatra também cuida das condições que podem vir junto, como epilepsia, dificuldades de alimentação e de sono, dor e alterações de visão e de audição, e acompanha o desenvolvimento cognitivo e a vida escolar.

Os retornos revisam as metas, os exames e o plano, em parceria com a família e a equipe.

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Perguntas frequentes sobre paralisia cerebral

Paralisia cerebral piora com o tempo?

A lesão no cérebro não piora, porque não é progressiva. Mas a forma como ela aparece muda com o crescimento, e por isso o acompanhamento contínuo ajuda a prevenir complicações e a ajustar as terapias.

Toda criança com paralisia cerebral tem deficiência intelectual?

Não. Muitas crianças com paralisia cerebral têm inteligência dentro do esperado. A deficiência intelectual pode vir junto, e por isso o desenvolvimento cognitivo também é acompanhado.

Com que idade dá para diagnosticar?

Em bebês com fatores de risco, o diagnóstico pode ser feito antes dos 6 meses de idade corrigida, com ressonância e avaliações padronizadas. Em outros casos, ele aparece mais tarde, quando o atraso motor fica evidente.

As avaliações e acompanhamentos descritos não substituem a consulta presencial. A indicação e o plano terapêutico são definidos individualmente, em consultório, após avaliação neuropediátrica, conforme determina o Conselho Federal de Medicina.

Fontes

  1. Rosenbaum P, Paneth N, Leviton A, Goldstein M, Bax M. A report: the definition and classification of cerebral palsy April 2006. Dev Med Child Neurol Suppl. 2007;109:8-14.
  2. Oskoui M, Coutinho F, Dykeman J, Jetté N, Pringsheim T. An update on the prevalence of cerebral palsy: a systematic review and meta-analysis. Dev Med Child Neurol. 2013;55(6):509-519.
  3. Novak I, Morgan C, Adde L, et al. Early, accurate diagnosis and early intervention in cerebral palsy: advances in diagnosis and treatment. JAMA Pediatr. 2017;171(9):897-907. Acessar
  4. Novak I, Morgan C, Fahey M, et al. State of the evidence traffic lights 2019: systematic review of interventions for preventing and treating children with cerebral palsy. Curr Neurol Neurosci Rep. 2020;20(2):3. Acessar

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