Deficiência intelectual: avaliação e acompanhamento
Entender a causa organiza o cuidado e as metas.
Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890
Publicado em · revisão técnica em

Deficiência intelectual é uma condição do neurodesenvolvimento em que há limitações no raciocínio, na aprendizagem e nas habilidades do dia a dia, como comunicação, autonomia e convívio, que começam na infância.
Neuropediatria é olhar para potencialidades antes de nomear limitações.
O que é a deficiência intelectual
O diagnóstico considera duas coisas juntas: o funcionamento intelectual, como raciocinar, resolver problemas e aprender, e o funcionamento adaptativo, que é como a criança se vira no dia a dia, em casa, na escola e com outras pessoas.
O grau é definido pelo quanto a criança precisa de apoio no dia a dia, e não apenas pelo resultado de um teste de QI. Ele pode ser leve, moderado, grave ou profundo.
A deficiência intelectual atinge cerca de 1 em cada 100 pessoas, com frequência maior nos estudos com crianças e adolescentes.
Sinais que pedem avaliação
Nos primeiros anos, o sinal mais comum é o atraso em várias áreas ao mesmo tempo: andar, falar, brincar e interagir mais tarde do que o esperado. Em crianças com menos de 5 anos, esse quadro é chamado de atraso global do desenvolvimento.
Na idade escolar, chamam atenção a dificuldade importante para aprender a ler, escrever e calcular, para entender regras e instruções e para ganhar autonomia em tarefas como se vestir e se organizar.
Nos quadros leves, os sinais podem aparecer só quando as exigências da escola aumentam. Por isso, a dificuldade persistente na escola merece avaliação.
Como é a avaliação
A avaliação reúne a história da gestação, do parto e do desenvolvimento, o exame neurológico e as informações da escola. A avaliação neuropsicológica, com testes padronizados de inteligência e de comportamento adaptativo, ajuda a confirmar o diagnóstico e o grau de apoio necessário.
A investigação da causa é parte importante do cuidado. A Academia Americana de Pediatria recomenda, entre os primeiros exames, o microarranjo cromossômico e a pesquisa da síndrome do X frágil quando a causa não é conhecida. Exames metabólicos e de imagem são indicados conforme cada caso.
Visão e audição também são avaliadas, porque alterações nessas áreas são mais frequentes nesse grupo e têm tratamento próprio.
Apoio e acompanhamento
Não existe remédio para a deficiência intelectual em si, mas o apoio certo faz diferença na autonomia, na comunicação e na participação. O cuidado é feito em equipe, com fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia e apoio pedagógico, conforme as necessidades da criança.
No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão garante à pessoa com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, para que desenvolva ao máximo seus talentos e habilidades.
A neuropediatra também acompanha as condições que podem vir junto, como epilepsia, TDAH, autismo e alterações de sono e de comportamento, e orienta a família nas diferentes fases do desenvolvimento.
Os retornos revisam o desenvolvimento, as metas e o plano, em parceria com a família, a escola e a equipe.
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