Atraso na fala: quando investigar e como acompanhar
Quando a fala demora, a avaliação não deve esperar.
Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890
Publicado em · revisão técnica em

Atraso na fala é quando a criança começa a falar, a juntar palavras ou a conversar depois do esperado para a idade. Ele pode aparecer sozinho ou ser o primeiro sinal de outra condição, como perda auditiva ou transtorno do espectro autista.
Atraso na fala, dificuldades na escola, comportamento diferente dos colegas. Esses sinais merecem uma avaliação especializada, não uma espera.
Marcos da fala por idade
Os marcos do desenvolvimento ajudam a perceber quando a fala está demorando mais do que o esperado. Pelos marcos do CDC, revisados em 2022, a maioria das crianças tenta dizer uma ou duas palavras além de mamã e papá aos 15 meses, e três ou mais palavras aos 18 meses.
Aos 2 anos, junta pelo menos duas palavras, como “mais água”. Aos 30 meses, fala cerca de 50 palavras e começa a usar palavras como “eu” e “nós”. Aos 3 anos, conversa com pelo menos duas trocas de fala.
Esses marcos mostram o que a maioria das crianças já faz naquela idade. Não alcançar um deles não fecha diagnóstico, mas é motivo para procurar avaliação, sem esperar.
Sinais que pedem avaliação
Procure avaliação quando a criança não diz nenhuma palavra perto dos 18 meses, não junta duas palavras aos 2 anos, não conversa com trocas simples aos 3 anos ou parece entender bem menos do que as outras crianças da mesma idade.
A perda de palavras ou de habilidades que a criança já tinha pede avaliação em qualquer idade.
Também chamam atenção a criança que não atende quando é chamada pelo nome, não aponta para mostrar o que quer e usa pouco o olhar e os gestos para se comunicar, porque esses sinais podem estar ligados ao autismo.
Por outro lado, compreender bem o que ouve e usar muitos gestos, como apontar, dar tchau e levantar os braços para pedir colo, são sinais de que a criança tem mais chance de alcançar as outras.
O que pode estar por trás do atraso
Entre as causas estão a perda auditiva, o autismo, os atrasos globais do desenvolvimento e os transtornos específicos da linguagem. Em crianças saudáveis em outros aspectos, muitas vezes a causa não é identificada.
Entre 50% e 70% das crianças que começam a falar tarde alcançam as outras até o fim da pré-escola. O risco é maior quando a dificuldade também está na compreensão, e só a avaliação separa esses casos.
Ouvir bem é condição para falar bem. Mesmo com o teste da orelhinha normal ao nascer, a audição deve ser avaliada de novo quando a fala atrasa.
Como é a avaliação
Na consulta, a neuropediatra conversa com os pais sobre a gestação, o nascimento, os marcos do desenvolvimento e a forma como a criança se comunica em casa e na escola, e faz o exame neurológico. Observar a criança brincando mostra como ela compreende, se expressa e interage.
A avaliação da audição faz parte da investigação, e a avaliação fonoaudiológica descreve o que está atrasado: a compreensão, a expressão ou a produção dos sons da fala. Outros exames dependem do que a história e o exame mostrarem, e cada pedido é discutido com a família.
Tratamento e acompanhamento
A fonoaudiologia é a base do tratamento do atraso na fala. A neuropediatra investiga a causa, cuida das condições associadas e acompanha o desenvolvimento junto com a fonoaudióloga, a escola e a família.
Identificar e intervir cedo ajuda a reduzir o impacto dos fatores de risco sobre a linguagem.
Em casa, conversar olhando para a criança, nomear objetos e ações do dia a dia, ler junto e dar tempo para ela responder ajudam a estimular a fala.
Quando o atraso faz parte de outro quadro, como autismo ou perda auditiva, o plano inclui o cuidado específico dessa condição, com retornos para acompanhar a evolução.
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