Autismo (TEA)

Autismo (TEA): da suspeita ao acompanhamento

Da primeira dúvida dos pais ao cuidado organizado em rede.

Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890

Publicado em · revisão técnica em

Menina brinca com encaixe de madeira enquanto o pai acompanha sentado no tapete, em consultório de neuropediatria com luz natural

O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e a forma como a criança brinca e se comporta.

A suspeita de autismo gera muitas perguntas. A avaliação neuropediátrica é o ponto de partida para entender o desenvolvimento do seu filho e organizar o cuidado com mais clareza.

O que é o transtorno do espectro autista

O TEA é definido por dois grupos de características que aparecem desde o início do desenvolvimento: dificuldades persistentes na comunicação e na interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, de interesses ou de atividades.

É chamado de espectro porque a forma e a intensidade variam muito de uma criança para outra. Há crianças que falam com fluência e têm dificuldade na conversa e no convívio, e há crianças que não falam e precisam de apoio na maior parte das tarefas do dia.

O diagnóstico descreve como a criança se comunica, interage e aprende naquele momento, e qual apoio ela precisa. É um ponto de partida para o cuidado, não um destino.

Sinais que costumam levar à consulta

Os sinais costumam aparecer nos dois primeiros anos de vida. O autismo pode ser diagnosticado a partir dos 18 meses, e a Academia Americana de Pediatria recomenda triagem específica nas consultas de 18 e 24 meses.

Entre os sinais que mais levam à consulta estão pouco contato visual, não atender quando é chamado pelo nome, não apontar para mostrar algo, pouco interesse em brincar com outras crianças, atraso na fala, repetição de palavras ou frases, apego rígido a rotinas, movimentos repetitivos e reação intensa a sons, texturas ou cheiros.

A perda de habilidades que a criança já tinha, como palavras ou brincadeiras, pede avaliação em qualquer idade.

Nenhum sinal isolado confirma o autismo, e alguns deles aparecem em outras condições, como atraso de linguagem e perda auditiva. O que pede avaliação é a combinação de sinais e a persistência deles no dia a dia.

Como é a avaliação da suspeita de autismo

O diagnóstico do TEA é clínico: é feito pela observação da criança e pela história contada pela família, e não existe exame de sangue ou de imagem que, sozinho, confirme o autismo.

Na consulta, a neuropediatra conversa com os pais sobre a gestação, os marcos do desenvolvimento, a linguagem e o comportamento em casa e na escola, observa a criança brincando e faz o exame neurológico. Vídeos curtos do dia a dia ajudam a mostrar o que nem sempre aparece no consultório.

Quando a história pede, são solicitados exames e avaliações complementares, como a avaliação da audição e da linguagem, e cada pedido é discutido com a família. A avaliação também procura condições que costumam acompanhar o autismo, como TDAH, ansiedade, crises epilépticas, alterações de sono e dificuldades de alimentação.

Depois da avaliação: cuidado em rede e acompanhamento

O cuidado da criança com TEA é feito em rede: terapias como fonoaudiologia, terapia ocupacional e intervenções comportamentais, apoio na escola e orientação à família, com o plano ajustado a cada fase do desenvolvimento.

A diretriz da Academia Americana de Pediatria recomenda que a intervenção comece cedo e envolva a família, com as decisões tomadas em conjunto com os pais.

O acompanhamento neuropediátrico é contínuo: revisa o desenvolvimento, a linguagem e o comportamento, cuida das condições associadas e ajusta o plano com a família e com a equipe que atende a criança.

Não existe medicação que trate o autismo em si. Ela pode ser indicada para sintomas associados, como agressividade, irritabilidade intensa, alterações de sono ou TDAH, sempre como parte do plano e decidida em consulta.

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Perguntas frequentes sobre autismo na infância

Com que idade os sinais de autismo podem aparecer?

Em geral, nos dois primeiros anos de vida, e o diagnóstico pode ser feito a partir dos 18 meses. Em algumas crianças, os sinais só ficam evidentes mais tarde, quando as exigências da escola e do convívio aumentam, e por isso a avaliação pode ser feita em qualquer idade.

Quais profissionais participam do cuidado?

Além da neuropediatra, que conduz a avaliação e o acompanhamento médico, costumam participar fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psicólogo, entre outros profissionais conforme a necessidade. A escola faz parte da rede, e a família participa das decisões.

O que significam os níveis de suporte?

O DSM-5-TR descreve três níveis, conforme o apoio de que a criança precisa no dia a dia: nível 1, exige apoio; nível 2, exige apoio substancial; nível 3, exige apoio muito substancial. O nível descreve a necessidade de apoio naquele momento e pode mudar ao longo do desenvolvimento.

As avaliações e acompanhamentos descritos não substituem a consulta presencial. A indicação e o plano terapêutico são definidos individualmente, em consultório, após avaliação neuropediátrica, conforme determina o Conselho Federal de Medicina.

Fontes

  1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition, text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.
  2. Hyman SL, Levy SE, Myers SM; Council on Children with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, evaluation, and management of children with autism spectrum disorder. Pediatrics. 2020;145(1):e20193447. Acessar
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 7, de 12 de abril de 2022. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Comportamento Agressivo no Transtorno do Espectro do Autismo.

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