TDAH e atenção

TDAH na infância: avaliação e acompanhamento

Desatenção e agitação avaliadas com a família e a escola.

Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890

Publicado em · revisão técnica em

Criança monta blocos de madeira em mesinha baixa enquanto a mãe acompanha, em consultório de neuropediatria com luz natural

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a atenção, o controle dos impulsos e o nível de atividade da criança, com reflexo na escola, em casa e no convívio.

Distração e agitação, sozinhas, são comuns na infância e não bastam para o diagnóstico. A avaliação neuropediátrica existe para separar o que é esperado para a idade do que pede cuidado, e para organizar o acompanhamento com a família e a escola.

O que é o TDAH e como ele aparece na rotina

O transtorno do déficit de atenção com hiperatividade é definido por um padrão persistente de desatenção, de hiperatividade e impulsividade, ou dos dois, que começa antes dos 12 anos e atrapalha a vida da criança em mais de um ambiente.

Na rotina, a desatenção aparece como dificuldade de manter o foco nas tarefas, erros por descuido, esquecimento de material e a impressão de que a criança não escuta quando falam com ela. A hiperatividade e a impulsividade aparecem como dificuldade de permanecer sentada, fala excessiva, interrupções frequentes e ações feitas antes de pensar.

Não é uma condição rara: o Conselho Federal de Medicina estima que, numa sala de aula com 30 alunos, de um a três podem ter TDAH. Também não é um rótulo para qualquer criança agitada. O ambiente familiar e o escolar influenciam a atenção, e a desatenção nem sempre está ligada a uma doença.

Quando a desatenção merece avaliação

A avaliação é indicada quando desatenção, agitação ou impulsividade se repetem por meses, aparecem em mais de um lugar, como em casa e na escola, e passam a prejudicar o aprendizado, a convivência ou a rotina da família.

Muitas vezes o primeiro sinal vem da escola: queda no rendimento, recados frequentes sobre comportamento, atividades que ficam pela metade. Em casa, a dificuldade aparece nas tarefas que exigem esforço mental prolongado, como a lição, e nos conflitos do dia a dia.

Também vale procurar avaliação quando a criança já tem diagnóstico e o plano atual não está dando conta, ou quando surgem dificuldades novas na troca de fase escolar.

Como é a avaliação neuropediátrica do TDAH

O diagnóstico do TDAH é clínico: não existe exame de sangue, ressonância ou outro exame de imagem que, sozinho, confirme o transtorno.

Na consulta, a neuropediatra conversa com os pais sobre a gestação, o desenvolvimento e a vida escolar, e faz o exame neurológico da criança. Informações de mais de um ambiente fazem parte da avaliação: relatórios da escola e questionários padronizados, preenchidos por pais e professores, ajudam a medir a frequência e o impacto dos sintomas.

A avaliação também procura o que pode imitar ou acompanhar o TDAH, como dificuldades específicas de aprendizagem e de linguagem, ansiedade, depressão, transtorno do espectro autista, tiques e problemas de sono. Quando a história pede, exames ou avaliações de outros profissionais são solicitados, e cada pedido é discutido com a família.

Acompanhamento com a família e a escola

O tratamento do TDAH é multidisciplinar e combina orientação à família, estratégias na escola e, quando indicado, medicação. Medicação sozinha não basta, e há casos em que ela não é necessária.

Na pré-escola, a primeira linha costuma ser a orientação aos pais para o manejo do comportamento. A partir da idade escolar, a medicação pode fazer parte do plano, sempre combinada às medidas de casa e da escola. A decisão é tomada em consulta, com a família.

O acompanhamento é contínuo. Os retornos avaliam a resposta, os efeitos do tratamento e as mudanças que vêm com o crescimento e com cada nova fase escolar. Com autorização da família, a conduta é articulada com a escola e com a equipe que acompanha a criança, como psicólogo, psicopedagogo e fonoaudiólogo.

A evolução é observada ao longo de semanas e meses, com ajustes no plano a cada retorno.

Atendimentos relacionados

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Perguntas frequentes sobre TDAH infantil

Com que idade é possível avaliar o TDAH?

A diretriz da Academia Americana de Pediatria orienta a avaliação a partir dos 4 anos, e ela segue indicada na adolescência. Pelos critérios diagnósticos, os sintomas precisam ter começado antes dos 12 anos, mesmo quando o diagnóstico é feito mais tarde.

A avaliação neuropsicológica é obrigatória?

Não. A avaliação neuropsicológica é um complemento importante em parte dos casos, porque descreve o funcionamento cognitivo e comportamental da criança, mas não substitui o diagnóstico clínico, que é feito pelo médico. A indicação é definida em consulta.

A consulta gera relatório para a escola?

Sim, quando a família solicita. O relatório médico é um documento técnico, de responsabilidade do médico, com identificação da profissional, data, descrição e conclusão, e traz o registro de especialista (RQE). O conteúdo parte do que a avaliação permite afirmar e preserva o sigilo do que foi tratado em consulta.

As avaliações e acompanhamentos descritos não substituem a consulta presencial. A indicação e o plano terapêutico são definidos individualmente, em consultório, após avaliação neuropediátrica, conforme determina o Conselho Federal de Medicina.

Fontes

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 14, de 29 de julho de 2022. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Acessar
  2. Conselho Federal de Medicina. CFM destaca importância de diagnóstico clínico e individualização de laudo médico sobre TDAH. Portal Médico, 7 de outubro de 2025. Acessar
  3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th edition, text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.
  4. Wolraich ML, Hagan JF Jr, Allan C, et al. Clinical practice guideline for the diagnosis, evaluation, and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in children and adolescents. Pediatrics. 2019;144(4):e20192528. Acessar

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