Dor de cabeça, sono e emoções

Sono na infância: avaliação e acompanhamento

Dormir bem é parte do cuidado com o desenvolvimento.

Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890

Publicado em · revisão técnica em

Quarto infantil arrumado para a hora de dormir, com cama de madeira, abajur aceso, livros e coelho de tricô no travesseiro

Dificuldade para dormir e despertares frequentes à noite atingem de 20 a 30 de cada 100 crianças pequenas e estão entre as preocupações mais comuns das famílias.

Noites mal dormidas afetam a criança e a casa inteira. Entender o que está por trás é o primeiro passo para organizar o sono.

Quanto a criança precisa dormir

A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda, em 24 horas e contando as sonecas: de 12 a 16 horas entre 4 e 12 meses; de 11 a 14 horas entre 1 e 2 anos; de 10 a 13 horas entre 3 e 5 anos; de 9 a 12 horas entre 6 e 12 anos; e de 8 a 10 horas entre 13 e 18 anos.

Dormir com regularidade as horas recomendadas se associa a melhor atenção, comportamento, aprendizagem, memória e regulação das emoções. Dormir menos se associa a problemas de atenção, de comportamento e de aprendizagem.

Sinais que merecem avaliação

Vale procurar avaliação quando a criança demora muito para dormir, acorda várias vezes durante a noite, tem sono agitado ou fica sonolenta e irritada durante o dia, e quando a dificuldade dura semanas e atrapalha a rotina da família.

Ronco frequente, pausas na respiração ou respiração pela boca durante o sono pedem avaliação, porque podem indicar apneia do sono, que também pode afetar o comportamento e a atenção.

Despertares com choro e confusão, como o terror noturno, e o sonambulismo são comuns na infância. Episódios repetidos e sempre iguais, com movimentos rítmicos ou rigidez, precisam ser diferenciados de crises epilépticas.

Como é a avaliação

A avaliação começa pela rotina de sono contada pela família: horários, como a criança adormece, despertares, ronco, sonecas, uso de telas e o comportamento durante o dia. Um diário do sono de uma ou duas semanas ajuda muito.

O exame neurológico e a investigação de condições associadas, como TDAH, autismo, epilepsia e ansiedade, ajudam a entender o quadro, porque os problemas de sono são frequentes nessas condições.

Quando há suspeita de apneia ou de crises durante o sono, podem ser indicados exames como a polissonografia ou o eletroencefalograma, e a conduta é articulada com o otorrinolaringologista quando necessário.

Tratamento e rotina

Na maioria das crianças, o tratamento começa pela rotina: horários regulares, um ritual tranquilo antes de dormir e um quarto escuro e silencioso. As intervenções comportamentais, orientadas aos pais, têm boa evidência: em uma revisão de 52 estudos, mais de 80 em cada 100 crianças melhoraram, com resultado mantido por meses.

Quando há uma causa específica, como apneia, ansiedade ou outra condição associada, o tratamento dela faz parte do plano. Medicações, inclusive a melatonina, só são usadas com indicação e acompanhamento médico.

Os retornos acompanham a evolução com o diário do sono e ajustam o plano junto com a família.

Atendimentos relacionados

Onde a avaliação acontece

Consultório em Varginha

EndereçoAv. Brasil, 226, Vila Pinto, Varginha, MG
HorárioSegunda a sexta, das 08:00 às 18:00, com hora marcada
Telefone e WhatsApp(35) 99720-7777
AtendimentoParticular

Perguntas frequentes sobre o sono infantil

Quantas horas de sono a criança precisa?

Depende da idade: de 11 a 14 horas entre 1 e 2 anos, de 10 a 13 horas entre 3 e 5 anos e de 9 a 12 horas entre 6 e 12 anos, contando as sonecas nas idades menores.

Ronco em criança é normal?

Ronco ocasional, durante um resfriado, é comum. Ronco frequente, principalmente com pausas na respiração ou sono agitado, merece avaliação, porque pode indicar apneia do sono.

Posso dar melatonina para meu filho dormir?

Só com orientação médica. A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda conversar com o profissional de saúde da criança antes de usar melatonina, que deve ser guardada como qualquer remédio. Em muitos casos, ajustar a rotina é o caminho mais adequado.

As avaliações e acompanhamentos descritos não substituem a consulta presencial. A indicação e o plano terapêutico são definidos individualmente, em consultório, após avaliação neuropediátrica, conforme determina o Conselho Federal de Medicina.

Fontes

  1. Paruthi S, Brooks LJ, D’Ambrosio C, et al. Recommended amount of sleep for pediatric populations: a consensus statement of the American Academy of Sleep Medicine. J Clin Sleep Med. 2016;12(6):785-786. Acessar
  2. Mindell JA, Kuhn B, Lewin DS, Meltzer LJ, Sadeh A. Behavioral treatment of bedtime problems and night wakings in infants and young children. Sleep. 2006;29(10):1263-1276.
  3. Marcus CL, Brooks LJ, Draper KA, et al. Diagnosis and management of childhood obstructive sleep apnea syndrome. Pediatrics. 2012;130(3):576-584.
  4. Hyman SL, Levy SE, Myers SM; Council on Children with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, evaluation, and management of children with autism spectrum disorder. Pediatrics. 2020;145(1):e20193447. Acessar
  5. Wolraich ML, Hagan JF Jr, Allan C, et al. Clinical practice guideline for the diagnosis, evaluation, and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in children and adolescents. Pediatrics. 2019;144(4):e20192528. Acessar
  6. American Academy of Sleep Medicine. Health Advisory: Melatonin Use in Children and Adolescents. 2022. Acessar

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