Dor de cabeça na infância: investigação e cuidado
Dor de cabeça frequente tem causa e tem cuidado.
Dra. Naiana Silva · Médica neuropediatra · CRM-MG 65388 · RQE 54889 / 54890
Publicado em · revisão técnica em

A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns da infância: mais da metade das crianças e dos adolescentes já teve dor de cabeça, e cerca de 8 em cada 100 têm enxaqueca.
Criança com dor de cabeça frequente não deveria só tomar remédio e esperar. Há causas identificáveis e tratamento adequado.
Os tipos mais comuns de dor de cabeça na criança
As dores de cabeça se dividem em primárias, quando a própria dor é o problema, como a enxaqueca e a cefaleia tensional, e secundárias, quando são sintoma de outra condição, como uma infecção ou, mais raramente, uma doença neurológica.
Na criança, a enxaqueca costuma ter crises mais curtas do que no adulto, a partir de 2 horas, e a dor muitas vezes aparece dos dois lados da cabeça. Náuseas, vômitos, incômodo com luz e barulho e a vontade de deitar em um lugar escuro são comuns.
A cefaleia tensional costuma ser uma dor em aperto ou pressão, dos dois lados, de intensidade leve a moderada, que não piora com a atividade física do dia a dia.
Sinais que pedem atendimento sem demora
Procure atendimento sem demora quando a dor é súbita e muito forte, vem com febre e rigidez na nuca, acorda a criança durante a noite ou aparece com vômitos ao acordar, piora de forma progressiva ao longo das semanas ou vem com fraqueza, alteração da fala, da visão, do equilíbrio ou do comportamento.
Também merece avaliação rápida a dor que começa depois de uma batida na cabeça ou que piora ao tossir, espirrar ou fazer força.
Fora dessas situações, vale agendar consulta quando a dor de cabeça se repete, muda de padrão, faz a criança faltar à escola ou exige analgésico com frequência.
Como é a avaliação
Na maior parte dos casos, o diagnóstico é clínico: vem da história contada pela criança e pela família e do exame neurológico completo.
Exames de imagem não são feitos de rotina. Em crianças com dor de cabeça recorrente e exame neurológico normal, a tomografia ou a ressonância raramente mudam a conduta e ficam reservadas aos sinais de alerta. O eletroencefalograma não é indicado para investigar dor de cabeça.
Um diário da dor ajuda muito: anotar o dia, o horário, a duração, a intensidade, o que a criança estava fazendo, como dormiu e os remédios usados mostra o padrão das crises e possíveis gatilhos.
Tratamento e prevenção
Na crise, o tratamento funciona melhor quando começa cedo, logo no início da dor. Analgésicos comuns, na dose certa para o peso, são a primeira escolha, e em adolescentes com enxaqueca outras medicações podem ser indicadas.
Usar analgésico com muita frequência pode manter a dor de cabeça. Analgésicos simples usados em 15 dias ou mais por mês, por mais de 3 meses, caracterizam a cefaleia por uso excessivo de medicamento.
A prevenção começa pela rotina: sono regular, refeições sem longos intervalos, boa hidratação e atividade física, além de conhecer e evitar os gatilhos. Quando as crises são frequentes ou atrapalham a vida da criança, o plano pode incluir tratamento preventivo, com medicação ou terapia cognitivo-comportamental.
Os retornos revisam o diário e a frequência das crises e ajustam o plano conforme a resposta.
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